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Vamos Embora Meninos! São as palavras de “ordem”.

Queres saber o que mudou na minha vida depois de ser mãe? Vamos embora!

A minha vida mudou quando fui mãe, ou por outra, a minha vida começou a mudar quando fui mãe. Mudou porque trouxe à tona o que fui deixando nas profundezas. Mostrou-me diariamente o que eu queria mudar e não sabia. Foi como se uma crise se instalasse na minha vida. Aliás, Laura Gutman no seu livro “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” aborda isso mesmo e refere no prólogo do livro qualquer coisa como isto: é verdade que encaro a experiência de nos convertermos em mães, como uma das crises mais profundas que as mulheres atravessam…

Posto isto, passei a querer desenvolver a minha autoconsciência, quis aprender a fazer diferente daquilo que tinha aprendido para me sentir consciente e responsável das minhas decisões.

Desde então e até hoje passaram alguns anos, nasceram mais dois filhos – estes dois vieram em par –  e os desafios aumentaram. Porquê? Porque fora os desafios na gravidez, no parto pré-termo, nas questões profissionais, na maternidade e na neonatologia deu-se ainda uma “separação” temporária da mais velha enquanto permanecemos internados… e durante esse periodo vivi todo um processo de imersão e emersão no profundo de mim, das minhas emoções, das minhas crenças, dos meus valores, tudo isto ao cubo (eles são 3 :))!

Eu queria (e quero) ser a melhor mãe que eu puder ser para os meus filhos e isso é o que me move, e isso é o que me faz querer todos os dias ser melhor. É também por isso que estudo (muito) e aplico (tudo) o que aprendo, em mim. E isso é brutal a todos os níveis. Isso impactou a forma como eu vejo o mundo, a forma como eu passei a ver o meu trabalho, a minha família, as minhas relações – o mundo à minha volta.

Criar Filhos é Difícil? Vamos embora!

“Criar filhos é muito difícil, é de partir o coração, é insuportável. As mães são inundadas com conselhos e opiniões, mas também estão dolorosamente sozinhas e isoladas.” Laura Gutman

Não faz sentido para mim que seja literalmente assim, que tenha que ser assim… ou pelo menos, a forma como se encara a maternidade acredito que possa ser outra, eu vivo outra. Podemos ter momentos mais dolorosos, e também podemos ter momentos muito, mas muito gratificantes e ambas as realidades fazem parte.  A propósito disto Thich Nhat Hanh no seu livro “El Arte de Cuidar a Tu Niño Interior” diz que “toda a nossa felicidade tem no seu interior o travo do sofrimento. É como uma flor. Quando examinas a flor em pormenor, vês o lixo, a terra e o húmus. Sabemos que sem húmus, a flor não pode viver. Por isso, ao tocar na flor, tocamos no húmus que ela tem.”

O que eu fiz e faço agora é abraçar ambas. É aceitar ambas como parte do processo. Como é que isso acontece na prática? Dou-te um exemplo que está a acontecer desde este último desconfinamento.

Quando começámos a desconfinar em finais de março, passado pouco tempo os parques infantis abriram. Resolvemos levar os miúdos ao parque e correu tudo lindamente até à hora de vir embora. Não QUE-RI-AM vir embora e a minha vontade mais imediata, dada a situação, foi não voltar lá nunca mais. Bom, é que eu, na verdade nem preciso de ir lá…

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De que é que eles Precisam? Vamos Embora!

Pois, mas eles precisam porque são crianças, estiveram confinadas, têm a necessidade de brincar, têm a necessidade de se divertir… e quando vês isso assim?

Ok…! Então, vamos lá dar mais uma voltinha… e todas as semanas vamos ao parque, muitas vezes, mais do que uma vez. E fomos afinando a estratégia de implementação da retirada do parque (linguagem de marketing), que é o mesmo que dizer que fomos afinando o que podia ser afinado. Na prática estamos neste ponto:

  1. Comunica-se: Ok, meninos. Vamos ao PARQUE! (festa!)
  2. Faz-se um acordo: Vamos combinar uma coisa (e combina-se)
  3. Pergunta-se para validar: O que é que foi o combinado? (e cada um repete)
  4. Avisa-se: Avisar uns minutos antes de que vamos embora (e avisa-se)
  5. Criam-se Regras: Implementar as regras mínimas e indispensáveis (só podem sair do parque com os pais, não podem ir para a pista das bicicletas, quando vamos ao parque, não vamos à praia)
  6. Estabelecem-se consequências naturais: Quem não sai do parque sozinho, sai acompanhado pela mão da mãe ou do pai porque o tempo chegou ao fim.

E o comportamento deles está muito melhor (que é o mesmo que dizer que está mais ajustado aos nossos objetivos) e às vezes não corre tão bem… E tem havido um (dos filhos) mais resistente em vir embora. Algumas vezes há choro. Irritam-se uns com os outros. Queriam ficar mais tempo… E estes são exemplos que sucedem porque eles preferiam ficar (eu também ia preferir se tivesse a idade deles). Mas, essa é a solução escolhida pelos pais, foi o acordado e eles devem “aceitar” isso.

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E se chorarem?

E se chorarem? Eu aceito que choram, eu digo-lhes que entendo que gostassem de ficar, entretanto o tempo chegou ao fim e de acordo com o combinado, vamos embora. Choram porque ficam frustrados e o choro incomoda-nos porque foi feito precisamente para nos incomodar. E, está tudo certo.

Se era mais fácil virmos logo para casa sem passar no parque? Sem dúvida nenhuma.

Mas, eu escolho confiar em mim, confiar nos meus filhos, acompanhá-los na jornada e não desistir. O meu propósito é o de ser a melhor mãe que eu conseguir ser. Então, o melhor para todos é continuarmos a ir ao parque.

 

Nota: As regras foram implementadas com o andamento da coisa… lá está… fazem parte da afinação da estratégia (que é o mesmo que dizer “da coisa”)…

 

Encontra mais vezes a felicidade na tua família! ♥

#beyounique

Comentário: 1

  • Mavilde Vilela Castelo Abril 28, 2021 6:50 pm

    Concordo com a atitude. É bom que sejam impostas regras. Mesmo que chorem… continuar a insistir!
    Muitas das vezes o que nos perturba é o facto dos “mirones”…..que ficam atentos ao choro dos nossos filhos e que se acham melhores educadores. Há quem não vá ao parque para não ter trabalho com os filhos!!!!

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