Paula Pinto Almeida / Filhos  / Um Jantar em família
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Um Jantar em família

Um jantar em família pode dizer-nos tanto… a quem está dentro e a quem está fora… principalmente quando vamos jantar fora.

Há uma tendência para querermos tanta coisa (dos nossos filhos e de nós próprios) durante um simples jantar fora…

O que queremos deles?

Que cumprimentem quem está, que se sentem, que se sentem direitos, que escolham rápido, ou então que nos deixem escolher, que não bebam muito sumo antes de jantar, que não batam com os pés nas nossas pernas, que não interfiram na conversa, que estejam sossegados, que “não ouçam (algumas) coisas que dizemos”, que não “se metam na conversa”, que não brinquem, cantem ou gritem à mesa, que não se levantem, que não comam muito rápido e que também não comam demasiado devagar… E que ainda tenham consciência no fim da refeição que como comeram muito não têm espaço para a sobremesa…

Ai… imagina a quantidade de vezes que lhe(s) chamamos a atenção…

O que queremos de nós?

Exigimos de nós o estarmos bem dispostos, sermos assertivos, oportunos e delicados, sabermos ou adivinharmos o que os nossos filhos querem comer, conseguirmos manter uma conversa do início ao fim simultaneamente à “fiscalização” de todos os requisitos anteriores, queremos que os meninos mostrem quem são, mas à nossa forma, queremos que estejam, mas que não se note demasiado a sua presença, que aparentem obediência, que não se expressem em demasia, pois pode ser inconveniente ou embaraçoso…

Será que desligamos enquanto família?

Muitas vezes quando isto acontece é quando nos “desligamos” de nós e deles – como um – uma família, uma relação mãe e filho, ou simplesmente eu enquanto mãe e tu enquanto filho. Quando o nosso comportamento é gerado com olhos no que está fora, saímos de nós e eles também. A dada altura ninguém está em si. Estamos à mercê daquilo que julgamos ser o julgamento do outro. Daquilo que nem temos atenção e espaço para perceber se é real. Ficamos naquilo que julgamos ser o que o outro pensa em relação a algo, presos a uma espécie de julgamento social, estereótipos e valores sociais… E, quando estamos presos ao nosso julgamento, ao julgamento social, aos estereótipos e aos valores sociais, estaremos nós em contacto com as nossas necessidades reais? E com as necessidades reais dos nossos filhos?

Se calhar dá pontapés porque quer ser escutado, não consegue e chama a atenção. É o que consegue fazer com os recursos que tem. Se calhar brinca à mesa porque está a sentir uma profunda frustração. É o que consegue fazer com os recursos que tem. Se calhar interfere na conversa porque, estando à mesa, gosta de participar, mas como não lhe perguntam nada ou o estimulam a participar… faz o que pode com os recursos que tem.

Se vão jantar e estão na mesa, ocupam um lugar físico na confraternização: Faz sentido que queiram “verdadeiramente” participar?

Para mim faz.

Se estivermos mais atentos, mais em nós, mais nas nossas e nas suas necessidades, mais em harmonia com aquilo que queremos e vivemos no dia-a-dia com eles, estaremos todos mais conscientes, mais alinhados e em maior harmonia.

 

Encontra mais vezes a felicidade na tua família! ♥

#beyounique

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