TALENTO, todos temos (pelo menos) um!
Não há nenhuma criança que não tenha potencial para ter um talento. Admirado/a?
O psicólogo e autor John Rosemond, acredita que as crianças recebem por osmose a Ansiedade dos pais e começam a sentir e a acreditar que o mundo não é um lugar seguro para viverem e que ninguém, nem os pais, são capazes de os proteger dos “perigosos” da vida. Este autor defende ainda que os adolescentes também não escapam dos prejuízos da ansiedade dos pais, nomeadamente nas expectativas que estes criam relativamente ao futuro académico e profissional dos filhos.
Diante das expectativas dos pais em que estes estudem e trabalhem em faculdades e empregos de “elite”, os filhos sentem-se muitas vezes perdidos. Faço o que os meus pais acham melhor para mim, ou faço aquilo que eu verdadeiramente gostaria de fazer? E se eu não conseguir “ser” o que eles desejam para mim? E se eu não for suficientemente bom para eles? (O que é ser suficientemente bom? Em relação a quê e a quem?) Mas, esse pode ser o pensamento deles, o que de facto, pode atrapalhar e baralhar, não só as suas escolhas, como o seu rendimento escolar (e aqui entra a ansiedade).

E se “deixasses” o teu filho explorar os seus talentos?
Sabias que existem talentos que nem sequer sabemos que são um talento? Gallup identifica 34 talentos que o ser humano pode desenvolver! E eu pergunto-te: como podemos valorizar um talento se não o conseguimos reconhecer?

É urgente romper com a ideia de que um talento tem a ver com uma profissão em concreto. TU e os teus filhos têm (de origem) uma série de diferentes capacidades que podem ser aplicadas a diferentes profissões. TODOS trazemos, pelo menos, 5 talentos “de série” que podem ser aplicados em diferentes profissões! (Vá… este é o segundo momento em que ficamos admirados :D)
Eu estudei gestão de marketing em licenciatura e depois em mestrado, e gosto muito do marketing, tendo sido, inclusivamente, a melhor aluna do curso e uma profissional sempre muito dedicada. Trabalhei durante vários anos nesta área como responsável de marketing, quer em empresas, como em agência. Gostava e gosto muito da comunicação, da idealização, do planeamento, da vertente estratégica (visão de futuro), do pensamento criativo, da psicologia do consumidor, do lançamento de novos projetos…
Hoje, aplico tudo isto enquanto coach.
Ok Paula, mas tu és adulta e responsável pelas tuas decisões e pelas consequências que daí possam advir, mas… e com as nossas crianças e jovens como podemos fazer?
Como podemos proceder com o talento de Crianças e Jovens?
Podemos procurar saber quais são as suas verdadeiras paixões, as delas (não as tuas!) e ver onde brilham consciente e inconscientemente, sem apego. Abrir o coração e a cabeça quanto ao facto de poderem ter mais do que um talento. Não nos devemos apegar muito a um talento que tenham, para que os outros possam emergir, ou seja, para dar espaço a que floresçam outros.
Ora, a minha filha é uma miúda empática, que tem jeito para a dança, para as artes marciais, para desenhar, pintar e criar. Ela tem bons resultados em todas as disciplinas na escola, canta bem, tem um discurso super fluído, e que venham mais… (alguns destes talentos identifiquei-os sozinha, com o meu marido, seu pai, e com ela, e outros foram referidos pelos respetivos professores das diferentes áreas).
Assim sendo, estes talentos têm potencial e, para se tornarem num verdadeiro talento, exigem entre 3.000 a 10.000 horas de treino (de acordo com Gladwell).

Quanto apoio damos aos nossos filhos relativamente às suas capacidades? E, será que esse apoio depende de se (achas que) lhe vai trazer dinheiro?
A resposta imediata de alguns pais, muitas vezes condicionada pelo medo, é SIM. Mas, que impacto teria em ti saber que de acordo com um estudo desenvolvido pela Dell Technologies, IFTF (Institute For The Future) 85% dos empregos disponíveis em 2030 serão novos?
A informação anterior não implica que as profissões que conhecemos hoje desaparecerão, mas sofrerão ajustes certamente. Faz sentido então condicionar as crianças e jovens a desenvolver especificamente um talento, se isso não partir direta e genuinamente, deles?
O caminho do futuro da escola (que já acontece) passará pela possibilidade de permutar disciplinas, a fim de construir percursos mais adequados aos interesses dos alunos. As disciplinas podem ser escolhidas pelos alunos de acordo com os seus interesses e desenvolvimento de talento.
Por outro lado, o que mudaria se soubesses que um estudo desenvolvido pela Hays em 2019 revelou que mais de 2/3 dos trabalhadores do Norte de Portugal estavam descontentes com o seu emprego e que por isso queriam mudá-lo?
Perante estes factos, que sentido faz orientarmos os nossos filhos para um futuro que nós não controlamos? E se a isso juntarmos aquilo de que te falei no início deste artigo, de que o teu desejo dele ter “sucesso” (o que quer que isso queira dizer para ti) poder ser tão intenso que que lhes emerge o medo de te desiludir, e que para além disso ficam confusos, ficam divididos e sem saber o que fazer?
Os filhos não são nossos, são da Vida <3
Para mim, os filhos não são nossos, são da vida. Estão a nosso cargo para que os apoiemos até poderem ser autónomos. Para poderem ser autónomos devem poder tomar decisões, devem poder errar (melhor se for connosco a “olhar por eles”), devem poder descobrir os seus talentos e ser criativos para resolverem os seus problemas.
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Encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥
#beyounique
NOTA: A minha filha nunca despejou um bacio na sanita (porque os pais faziam isso por ela), os meus gémeos fazem-no desde o primeiro dia! É um talento? Perguntas tu… quem sabe a partir dessa autonomia não descubram um, e depois outro… e outro… 😉
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