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Somos uma família!

Era de manhã. A alvorada chegou de súbito a nossa casa e à nossa família. Todos acordaram. Os dois mais pequenos dirigiram-se ao quarto depois de sairem da casa de banho e eis que um deles, com uma cara triste, me diz:

– Mamã, ontem fiz uma birra na hora da história. Sabes? Estava tão zangado por dentro que queria por tudo cá fora… pus-me debaixo da cama, gritei e chorei… Sei que fiz tudo errado ontem…

– Fizeste o que conseguiste e como conseguiste filho. Como achas que poderias fazer da próxima vez? Perguntei.

– Acalmar-me, mas não consegui, ontem. Não ouvi a história que contaste, só os manos ouviram. Eu podia ter ido para o cantinho da calma, mas não quis… Hoje estou triste por dentro.

– Podemos cuidar da tua tristeza. Tu queres?

– Sim. Respondeu.

Fizemos um exercício de respiração e no fim perguntei:

– Como te sentes?

– Melhor mamã. Respondeu esboçando um sorriso.

Seguiu-se um abracinho ♥

 

Uma birra e tanto!

Foi de facto uma birra e tanto…! Era noite, já passava das 21:15, tinham lavado os dentes e ido à casa de banho. Estávamos todos sentados no chão para a história da noite e um dos pequenos optou por instantes por brincar com um boneco e não escutou parte da história. Quando “acordou” percebeu que não tinha ouvido uma parte da história. Entrou em resgate emocional e não foi muito simples de gerir a situação, na verdade.

Para o acolher e acompanhar somente a ele teria que deixar de contar a história aos outros, e para contar a história aos outros como normalmente, teria que deixá-lo a ele “sozinho”. Então, naquele momento formulei um “nim” (que não o abandonou, mas que também não deixou os outros filhos sem história). Um “nim” de acompanhamento que, hoje refletindo nisso, se baseou em três momentos.

 

Os três momentos em Família!

Os três momentos em família foram:

  • Primeiro, ACEITAR que estava a fazer uma birra porque não tinha ouvido a história desde o início, uma vez que preferiu brincar mais um bocadinho com um boneco. Quando ele quis escutar a história, eu já tinha lido umas duas páginas. Então, passei a ACEITAR que a sua frustração é sua, que era um processo seu que eu podia acompanhar, mas não podia mudar, e por outro lado, aceitar que o seu choro estava a incomodar os irmãos (num limite “razoável” porque também eles aceitaram o seu resgate), e que estava a desfocar a minha atenção. Simplesmente aceitei o que me permitiu ficar em mim e não me deixar levar pela sua emoção.
  • Em segundo lugar, ACOLHI, acolhi a minha emoção; a emoção dos irmãos, mostrando que percebia que eles estivessem frustrados; e a sua emoção de resgate, mostrando empatia sobre o seu estado. Disse-lhe que percebia a sua frustração, e que ele escolheu brincar com o brinquedo e que os irmãos queriam continuar a escutar a história.
  • Em terceiro lugar, ACOMPANHEI-O, ao longo do resgate, e em diferentes momentos, dizendo que estávamos ali para quando ele quisesse ou precisasse. Que ainda podia escutar o resto da história se quisesse. E tanto eu como os irmãos sugerimos que fosse para o cantinho da calma… mas, ele recusou-se.

Basicamente, foi um “nim” porque nem lemos a história com a atenção e dedicação “ideais”, nem o seu acompanhamento foi o “ideal”. Foi o possível e correu bem. E sobretudo correu bem, porque no dia a seguir ele acordou consciente das suas emoções e eu, enquanto mãe, acolhi-as. E correu bem, porque acolhi a frustração latente dos irmãos em relação a não estarem a escutar a história como gostariam devido às manifestações do pequeno.

 

Somos uma Família de 5 pessoas

Somos 5 pessoas em casa, temos um cão e um gato e às vezes as situações que se geram não nos permitem agir no cenário “ideal”. Gera-se um certo conflito de interesses e para minimizar essa amalgama de emoções e conflitos, tenho a premissa de que nós somos seres individuais, e que quando estas situações se geram, geram-se porque somos uma família, todos juntos formamos UMA família. Então, tanto me foco na pessoa, como a seguir me desfoco da pessoa para me focar na família e no bem comum assente nos nossos VALORES, dos meus valores enquanto líder. Naquele momento olho para a pessoa dentro da nossa família. As situações que ocorrem, nem sempre são as ideais, ou decorrem nas condições ideais, então nessa altura faço o possível dentro da razoabilidade do ambiente e das circunstâncias e vou apurando e melhorando à medida que as situações ocorrem.

Costumo dizer-lhes qualquer coisa como: “Nós não somos só 5 pessoas individuais, com necessidades individuais; nós (também) somos UMA FAMÍLIA, somos 5 pessoas juntas: preocupamo-nos com o bem-estar uns dos outros!” ♥

 

Encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥

#beyounique

 

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