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Quero um tempo só para mim, Mãe!

Como assim, quero um tempo para mim?

Já deves ter ouvido falar sobre a importância de encontrares um tempo só para ti, da mesma forma, já deves ter ouvido dizer que os nossos filhos necessitam de um tempo só para eles. De um tempo só para eles separadamente, ou seja, encontrarmos diariamente um tempo dedicado exclusivamente a cada um deles.

E agora podem surgir algumas questões:

– Para quê é que é necessário fazê-lo?

– E eu que tenho mais que um filho, como faço?

– Como fazemos para estarmos todos juntos e em família?

– E eu que trabalho por turnos, como faço?

– Posso-lhe dedicar tempo enquanto cozinho, lhe dou banho, ou o levo à escola?

– E esse tempo deve ser exclusivamente só com o pai e depois só com a mãe?

 

Bem, estas são algumas questões que vou recebendo em sessões individuais e quando falo com pais e hoje, vou procurar responder-lhes.

AVISO: Responderei de forma não cronológica e até misturada…

 

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Para quê um “Tempo só para Mim”?

O tempo dedicado em exclusivo a cada filho é muito importante porque as crianças transportam consigo uma espécie de baldes que necessitam de encher diariamente para se sentirem preenchidos e felizes. Esses são os baldes da significância e da pertença. Todos os seres humanos necessitam, por um lado, de se sentirem vistos e amados e por outro de sentir que contribuem, são capazes, têm “poder” e pertencem a uma comunidade. E o tempo exclusivamente dedicado a cada um dos filhos permite encher esses dois baldes através da atenção que lhes damos, do amor, da brincadeira, do cuidado, da forma como colaboramos com eles e eles connosco… Logo, iremos ter crianças mais felizes, mais empáticas, mais colaborativas…

Caso, na sua perceção, os seus baldes estejam meio cheios ou mesmo vazios, as crianças desenvolvem inconscientemente comportamentos ditos desadequados chamando a atenção para cobrir a necessidade de pertença, e através de lutas de poder quando a necessidade que sentem por cobrir é a da significância. E assim vão enchendo os baldes com frustrações, porque as respostas que recebem não são aquelas que gostariam receber, mas são são respostas. Melhor do que não receber nada.

Todos estes movimentos acontecem de forma inconsciente…

 

E eu que tenho mais que um filho, como faço?

Cada pessoa tem a sua realidade, cada um com os seus desafios, então, uma pessoa com um filho que tem um emprego, não vive a mesma realidade que uma pessoa que tem dois filhos e tem um emprego. Uma pessoa que tem três filhos e é divorciada não vive a mesma realidade que uma pessoa que tem três filhos e partilha com o companheiro as atividades domésticas e parentais. E dentro de cada uma destas realidades há “sub-realidades”. Se a questão que colocas é que tens mais do que um filho, cada um deles vai querer ter a tua atenção. E é mais desafiante do que se tivesses só um. Esta é a realidade. E, há um requisito da tua parte que é fundamental que é; para além de ter consciência, QUERER muito dar atenção individualmente a cada um.

Eu tenho uma filha mais crescida que foi filha única durante 5 anos e depois tenho os dois mais novos que são gémeos – com a mesma idade, os mesmos interesses, as mesmas necessidades… e, quero muito dar atenção a cada um deles individualmente! 😀 E para isso desenvolvi estratégias.

Durante o período letivo vou buscar a mais crescida para almoçar e a sua atenção é-lhe dada maioritariamente nesse período… e também vamos às compras ou criamos atividades só nossas como desenhos, músicas, trabalhos manuais… e com eles procuro brincar ao final do dia mais individualmente, dou banho, dando atenção a cada um, enquanto trato deles. Brinco muito entretanto. Converso individualmente durante o banho e o creme e falamos ao jantar. Dançamos e brincamos à vez, mas em conjunto, porque assim todos têm atenção, mas permanecemos juntos… ou seja, desenvolvi estratégias e algumas regras para o conseguir fazer, adaptando à minha realidade.

 

E esse tempo deve ser exclusivamente só com o pai e depois só com a mãe?

Sim. Cada um dos cuidadores – mãe e pai – deve ter momentos em exclusivo com os filhos, individualmente. É como se aquele momento fosse só vosso, e é aí que se conhecem, partilham, brincam, trocam e conectam. Dessa forma a criança sente que encaixa na família porque se sente conectada emocionalmente, porque recebe atenção de ambos os pais! Por outro lado, sente-se capaz e reforça o seu poder pessoal. Os pais aqui podem articular-se (e querer).

 

 Como fazemos para estarmos todos juntos e em família?

Esta é a parte “fácil” desde que seja usada um pouco de imaginação e sendo criativos. Podem estar todos juntos e partilhar às refeições, através de um jogo, de uma atividade conjunta em que todos sejam convidados a participar – arrumar as compras, arrumar a sala, preparar o jantar, etc. As crianças gostam de colaborar. Se perceberem a importância da contribuição para a concretização do objetivo, é como “ouro sobre azul”!

E fazendo isto corre sempre tudo às mil maravilhas? Não… mas, melhora MUITO e crescem emocionalmente mais saudáveis.

É fundamental que nas alturas em que não corre como queríamos, não tomemos os seus comportamentos como pessoais. Eles não nos querem fazer a “vida negra”, nem as birras são algo pessoal contra nós. Eles têm necessidades… e vão procurar cobri-las como sabem.

 

As nossas necessidades!

E nós também temos necessidades, por isso é importante estarmos atentas a nós próprias…

É mais ou menos consensual que as mães fariam qualquer coisa pelos seus filhos, mas não nos ensinaram que antes de dar amor precisamos de cultivar amor. Eu só posso dar pão ao meu filho se tiver pão, verdade? É da nossa responsabilidade cuidar-nos para podermos cuidar melhor os outros ♥

 

Encontra mais vezes a felicidade na tua família! ♥

#beyounique

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