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“Nunca” Desistas

Esta semana que passou foi abrilhantada pela Páscoa, pelas férias dos miúdos e também pelas nossas férias. “Nunca” desistas da reunião de família, partilha, troca de amêndoas, presentes para os afilhados, caça aos ovos…

Este ano, depois da comemoração um tanto ou quanto diferente das anteriores fomos passear pelo parque. Os meus filhos rapazes exibiam os seus chapéus novos “néon”. Estava sol e vento e a dada altura impôs-se um gelado de final de tarde (porque, já se está a ver que os níveis de açúcar estavam baixos). Durante uma pequena caminhada aproximámo-nos do rio para observá-lo. E foi nesse momento que veio uma rajada de vento que empurrou o chapéu de um deles para dentro de água. Ficámos os quatro parados a observar o chapéu a ser levado lentamente pela corrente e a ser visitado pelos peixinhos… atónitos, incrédulos, meio que boquiabertos. Não podíamos acreditar que o chapéu novo (que devia ter umas 5 horas de uso) estava a boiar no rio…

O chapéu tinha escrito “Never give up” (voltado para nós) e mesmo parecendo impossível recuperá-lo, ao mesmo tempo não queria deixá-lo ali. E não era porque o pequeno chorasse, ou gritasse, ou estivesse a fazer birra, que não aconteceu, era porque para mim era inconcebível deixá-lo ali.

Vamos a isso!

Era Domingo de Páscoa, é verdade, mas os chineses não comemoram o Domingo de Páscoa e por isso havia uma loja perto que estava aberta. Já tinha combinado com o meu marido que iríamos lá para comprar um tapete, daqueles que se colocam na porta de casa, porque durante a noite o nosso cão cortou o dos meus sogros em pedacinhos (li-te-ral-men-te em pedacinhos). Fomos aos chineses, comprámos o tapete em meia lua e adicionámos ao carrinho uma rede de pesca, uma fita adesiva e um cabo de vassoura.

Dali, fomos rumo ao rio, a cruzar os dedos para que o chapéu ainda lá estivesse. E estava! Eu e o meu marido juntámos a rede de pesca e o cabo da vassoura com fita adesiva e o maridão “pescou” o chapéu perante o olhar atento e o alento (um pouco efusivo até) de nós os três.

Fizemos festa quando o chapéu pisou terra firme! A alegria estava nos olhos deles, mas nos nossos também.

Para quê tanto investimento?

Possivelmente haverá pessoas que agora se estarão a perguntar. Para quê? Para quê tanto empenho, trabalho e investimento para recuperar um simples boné?

Por um lado, permite que eles confirmem que os pais se importam, mesmo quando orientam o seu comportamento (que aconteceu quando explicámos ao miúdo que precisa de ajustar melhor o chapéu na cabeça para ele não voar com o vento); que fazem o que está ao seu alcance; não desistem à primeira dificuldade e às vezes usam formas “estranhas” para resolver os problemas. E por outro lado, aprendem a não desistir, a usar a criatividade para a resolução dos problemas, a serem resilientes… E mesmo que não tivéssemos conseguido pescar o chapéu, teriam aprendido que os pais se importam; que fizeram o que estava ao seu alcance; que não desistem à primeira dificuldade e que às vezes usam formas estranhas para resolver os problemas.

 

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O “nunca desistas” é propositado?

Se nos perguntarem a mim e ao meu marido, se quisemos salvar o chapéu com o intuito consciente que descrevi anteriormente, a resposta vai ser “não”, fizemo-lo porque é da nossa natureza, agimos assim normalmente. Não quer dizer que tivessem agido assim connosco, quer dizer que escolhemos a partir de algum momento das nossas vidas agir assim com os nossos filhos. De qualquer das formas acredito muito que vale a pena refletir sobre isto! Sobre o exemplo e a atenção que damos ou deixamos de dar ao que acontece connosco, com eles e com a vida em conjunto. Dessa forma eles aprendem a fazer o mesmo. E não é isso que nós queremos?

Nunca desistas de SER  a mãe/pai que queres ser.e encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥

#beyounique

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