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A felicidade ao Virar da Esquina

Entre esta semana e a semana passada contactei com dois casos que tocam a “mesma” temática (não, não é a felicidade). Ambos são menores. Um tem 10 anos e outro tem 16 anos.

Ambos estudam, ambos estão em atividade escolar cerca de 10 a 12 horas por dia, ambos estão com dificuldade em se organizarem, em obter os resultados que querem, em estarem com a família em família, e em terem tempo para si. Portanto, no único dia em que não têm escola à tarde, “espera-se” deles que tenham a maturidade e a vontade de organizar o seu estudo.

Pois bem, nós adultos gostaríamos de estar em atividade 10 horas por dia, excetuando uma tarde por semana e o fim de semana? Gostaríamos de durante o fim de semana e a única tarde livre da semana dedicar o nosso tempo a estudar, organizar, fazer trabalhos e outros que tais? Sentir-nos-íamos felizes? (não perguntei se o fazes, ou se o farias, perguntei se gostavas)

O Ser humano precisa de viver. Precisa de aprender, de evoluir, e de amadurecer, claro… e precisa de viver.

A Felicidade de Viver

Uma enfermeira australiana, chamada Bronnie Ware, é enfermeira de cuidados paliativos e escreveu o livro The Top Five Regrets of the Dying, depois de ter criado um blog onde partilhava as conversas que tinha com as pessoas que se encontravam no leito da morte.

Ao mesmo tempo, durante o seu trabalho concluiu que algumas partilhas referentes aos arrependimentos das pessoas naquela situação, são mais comuns, e elas são:

  • Ter aproveitado a vida à minha maneira e não da forma que os outros queriam;
  • Não queria não ter trabalhado tanto;
  • Queria ter falado mais sobre os meus sentimentos;
  • Gostava de ter mantido o contacto com os meus amigos;
  • Queria ter-me permitido ser feliz.

Neste sentido, e se me permites, vou deter-me mais um pouco neste último ponto: “O medo de mudar fez com que estes pacientes fingissem para os outros e para eles mesmos que estavam satisfeitos quando, no fundo, tudo o que eles queriam era rir mais e terem mais momentos alegres”. Concluiu a enfermeira Bronnie Ware.

A Felicidade pode não ser isso!

Atualmente muitos pais me dizem que as crianças precisam quer de perceber que têm que ser responsáveis, quer de começar por serem boas alunas. Não podem estar muito tempo sem “fazer” nada porque se não, arranjam o que fazer, e isso pode ser um problema. E é bom que desenvolvam várias competências para o futuro… não se sabe o futuro, não é verdade?

Curiosamente hoje o meu marido mandou-me um vídeo postado por Warren Buffet (@warrenbuffet.Official) que dizia qualquer coisa como: “Nós temos que cometer erros para aprender, mas as nossas escolas punem-nos por cometermos erros. E também nos punem por pedir ajuda porque acham que estamos a “gozar”, eu chamo a isso (pedir ajuda quando não compreendemos) cooperação…”

Será que estamos (família, escola, ou sociedade) a educar crianças e jovens que fazem aquilo que não gostam, porque tem que ser assim, e “esse assim”, pode estar completamente desfasado daquilo que o ser humano necessita para se sentir feliz e para ter sucesso? (o que quer que sucesso signifique para cada um)

Os pais “enchem os pulmões” para dizer que querem que os filhos se sintam felizes (eu também quero!), mas será que já parámos para pensar o que os faz sentirem-se felizes? Proporcionamos-lhes isso? Têm espaço nas suas vidas para isso? Será que podem ser felizes sem (parte) disso com que “enlatamos” ou “enlatam” as suas vidas? Já parámos para pensar que é muito mais importante SER do que TER?

Sou tudo isso e muito, muito, mas mesmo muito mais!

Pois é… se calhar podia ser diferente…

Conheço pessoas que não estudavam em pequenas e hoje sentem-se realizadas e conheço pessoas que estudaram toda a vida e sofrem de depressão. Será que o esforço “enlatado” das crianças de hoje em dia compensa? Qual é o verdadeiro objetivo?

Por analogia, este fim de semana cruzei-me no supermercado com uma senhora que conheço desde há uns anos. Tem uma filha da idade da minha e, entre outras coisas, comentava com ela o que tínhamos feito, em família, durante esse fim de semana. Nada de “especial” (e ao mesmo tempo tão especial) –  tínhamos ido passear de bicicleta no parque. Ao que ela me responde, que desde o início do ano letivo (Setembro) que não se conseguem organizar em família para ir passear, ou terem um momento em família sossegado e em harmonia…

 

Encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥

#beyounique

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