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Eu também quero ter Filhos Felizes!

É unânime que a grande maioria dos pais desejam ter filhos felizes!  E, serão eles felizes?

Sabias que de acordo com II Estudo sobre Felicidade e Infância da Imaginarium (em 2017) para a maioria dos pais portugueses entrevistados os filhos são muito felizes (51,6%) ou felizes (20,2%).

Então se a preocupação dos pais é que os filhos sejam felizes e a maioria acredita que são felizes, por quê se continuam a preocupar?

Eu própria fiz esta reflexão com base nos casos de pais e de filhos que atendo e também aplicando a mim e à minha família e trago-te algumas reflexões.

A Felicidade não é Estanque

Em primeiro lugar os pais sabem (consciente ou inconscientemente) que a felicidade não é estanque, varia…! Hoje os nossos filhos podem aparentar estar felizes e amanhã não. Agora podem encontrar-se aparentemente felizes e no momento seguinte, ou porque o irmão lhe tira o brinquedo, ou porque a irmã troca de canal, ou porque o outro lhe encosta o dedinho do pé, e a felicidade do momento, estala.

Pode também acontecer que noutra situação “igual” nada disto aconteça. Porquê? Porque é volátil. Porque é um estado “momentâneo”, depende de inúmeros fatores e porque vai e vem… não conheço ninguém permanentemente feliz e desconfio “da” criança que está sempre feliz… Pergunto-me, a quem estará a aparentar estar feliz e com que motivo… que capa foi essa que criou…?

 

Os Pais Julgam-se!

Em segundo lugar, os pais têm dúvidas, julgam-se e têm medo das consequências das suas decisões e atos!

Houve algo que encontrei na Internet e que achei o máximo porque brinca com este tema. O “bingo da culpa” – tem a vesão 1 e 2 da “culpa materna e paterna” e a versão  “culpa materna e paterna em ambiente COVID”. Trouxe-te aqui para veres.

Quem nunca?

E depois? Como queremos que os nossos filhos estejam sempre felizes e sentimos culpa, esta leva-nos, muitas vezes, para um movimento de compensação… Vamos lá compensar a criançada! E este movimento tem, muitas vezes, um efeito contorcido, que é novamente que nos leva à dúvida, ao medo, à frustração e/ou da culpa… “Será que o estou a habituar mal?”; “Será que fiz bem?”; “Acho que desta vez exagerei…!” O grau da emoção depende logicamente do nível da compensação, dos nossos valores, crenças, etc. (mas, isto daria outro artigo)…

E daqui salto para o terceiro lugar, da saga: “por que acreditando que são felizes me continuo a preocupar”…

 

 

Ter Filhos Felizes não Depende SÓ de Nós

Isto acontece também porque quando colocamos a concretização do “desejo” de que os nossos filhos sejam felizes em nós, estamos a colocar-nos a responsabilidade, quando ela diretamente não depende só de nós. Como assim? Dou um exemplo:

A minha filha está a atravessar uma fase (como outra qualquer) de procura de maior autonomia, de testar os seus limites e os dos outros e de querer desafiar certas regras. E é persistente! (é o seu papel) E, naturalmente que havendo regras e limites, não pode fazer tudo o que deseja, nem consegue ter tudo o que quer. Ora, entra em frustração… (o que faz parte)… e sinto que tem estado (aos meus olhos) menos vezes feliz.

Se eu preferia que estivesse mais vezes? Claro que sim, sou mãe, e as mães gostam de sentir os seus filhos felizes. Mas, faz parte que não esteja sempre feliz e aceito isso.

O que é que eu Faço para ter Filhos mais vezes Felizes?

O que faço e estimulo a que outros pais façam é:

  • Trazer-lhes à consciência momentos de felicidade que vivem diariamente. No caso da mais velha, permito que veja que ao ir almoçar a casa todos os dias e podemos ler e refletir sobre uma história em família, ou em vez disso jogar ao “STOP” durante o almoço, ou simplesmente partilharmos entre nós a nossa manhã sem interrupções; e depois durante o seu tempo livre está no seu tablet; É um exemplo, mas ela ter esta consciência é importante. Porque tal como nós, às vezes, eles também dão como garantidos certos eventos e momentos que não o são. Ser grato pelo que se tem e estar em paz é importante para a felicidade.
  • Perceberem que a felicidade e a tristeza às vezes estão juntas. Este fim de semana que passou fomos visitar os meus pais. Foi o aniversário da minha mãe, estavam felizes por verem e estarem com a família, o que já não acontecia há bastante tempo. E como sempre chegou a hora de regressar a casa, à nossa casa. Os três estavam cabisbaixos. Íamos embora. E foi curioso porque tanto eu como o meu pai, em momentos diferentes – eu dentro de casa e o meu pai já com eles dentro do carro para sairmos de viagem – dissemos-lhes a “mesma” coisa, em perspetivas diferentes e foi algo como: “Eu percebo que te sintas triste porque vamos embora. Eu também gostava de estar aqui mais tempo. E ao mesmo tempo sinto-me feliz porque, se estou triste foi porque foi muito bom estar aqui.”

 

Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade. Pearl S. Buck

 

E tu, como vais consciencializar o teu filho das pequenas alegrias do dia-a-dia?

 

Encontra mais vezes a felicidade na tua família! ♥

#beyounique

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