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Corações Conscientes

Hoje venho-te falar de “corações conscientes”.

E afinal o que é isso?

Já lá chegaremos 🙂

A nossa Morada

Tudo começou ao chegarem a casa do campo de férias ontem!

Um dos meus filhos aproximou-se e disse-me: – Mamã, eu preciso da nossa morada.

– Ai, sim, para quê? Perguntei.

– Não te quero dizer… Respondeu prontamente.

– Ok, mas eu para te escrever a morada necessito de saber para que é que necessitas dela. Nós não damos a nossa morada a qualquer pessoa, ou por qualquer motivo…

É então que o meu outro filho me interrompe dizendo: – É para o “E” vir cá a casa…

– A sério filho? Podias-me ter dito. Disse-lhe com algum entusiasmo. E continuei dizendo-lhe: – Para isso precisamos de falar com os seus pais primeiro, para combinarmos. Já viste se o “E” viesse cá a casa e nós tivéssemos saído? Perguntei.

– Eu disse-lhe isso mamã de os pais falarem, mas o “E” insistiu… vou falar com ele amanhã. Respondeu.

 

“Corações Conscientes”

Passado umas horas, e antes de dormir, o meu filho que queria trazer o seu amigo a nossa casa disse-me: – Mamã, o pai do meu amigo “E” é mau… Se eu pudesse despedia-o de ser pai dele. Puxa-lhe a orelha, grita e obriga-o a despedir-se das pessoas. Ele diz: “Vai já imediatamente despedir-te de toda a gente se não, ficas sem o telemóvel, o tablet e a televisão”. Depois o meu amigo começa a chorar e vai-se despedir. Tem medo, sabes mamã? Contou-me ele.

– Sim, eu entendo… e isso deixa-te triste, gostavas de ajudar o teu amigo? Auscultei eu.

– Sim, mas ele (o pai do “E”) é maior do que eu (não quer dizer que seja mais forte, mas se calhar até é…) mas, eu despedia-o. E, não quero falar com ele. Afirmou.

– Achas que essa é a forma de tratar as pessoas que tratam assim os filhos? Perguntei.

– Não quero falar bem com ele, magoa o meu amigo… Ele é mau, ele não gosta do meu amigo! Disse, aparentemente indignado.

– Eu entendo. Mas, eu acredito que ele goste sabes? Só que se calhar foram muito autoritários com ele e ele agora é assim com o filho. No momento em que o filho não faz o que ele acha que está bem (e quer controlar), age assim. Talvez seja isso filho… Sugeri eu.

Ataques ou Falta de opções?

Perante a minha sugestão o meu filho responde:

– Mas, isso é atacar, mamã! Disse parecendo indignado.

O meu filho interpretou as ameaças, agressões e castigos do pai do amigo como um ATAQUE.

– Ás vezes pode mesmo ser atacar… ele não sabe fazer de outra maneira com o filho… Todos nós às vezes não sabemos. Não estou a dizer que está certo, estou a dizer que podemos não saber no momento fazer diferente ou como fazer diferente. Lembras-te daquelas alturas em que ficas muito zangado com o que eu faço ou digo e gritas, ou finges que não ouves? Ou até quando fazes “ao contrário” do que eu peço ou acordámos? Perguntei.

– Sim. É só enquanto estou zangado… (e fez uma pausa) Mas, ele podia dizer assim ao “E”: “-“E” podes por favor ir-te despedir das pessoas para irmos embora?” E de certeza que ele ia… Considerou o meu filho.

[E a conversa continuou]

Esta é a forma de interpretar as atitudes e os comportamentos do pai do “E” aos olhos do meu filho de 6 anos. Continuámos a nossa conversa e se eu já tinha decidido fazê-lo, com esta conversa esta ideia veio reforçada: Vou propor no início do ano letivo uma conversa descontraída com pais na escola, sobre estilos parentais e as consequências que têm para os miúdos, e quem sabe, se multiplicam os corações conscientes.

Para mim a mudança começa na consciência. Hoje partilhei aqui a visão e a consciência do meu filho (e a minha, acompanhando-o).

 

Encontra mais vezes a felicidade na tua família! ♥

#beyounique

 

 

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