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Quero (saber) comunicar com os meus Filhos

Quando penso em comunicar com os meus filhos é inevitável lembrar-me de um esquema simples (mas rico) que uso há anos no contexto de marketing, nas minhas aulas e no meu trabalho e que se refere aos canais de comunicação, nomeadamente, à teoria da comunicação.

Nele está contido o emissor e o recetor da mensagem. O emissor comunica uma mensagem ao recetor através de um canal (rádio, tv, revistas, Internet, etc) e depois o recetor dá feedback da mensagem recebida – de forma muito básica procuramos que esse feedback se foque na entrada em ação do consumidor, como por exemplo, tomar conhecimento, comprar, ou subscrever algo…

 

 

Este esquema lembra aspetos fundamentais da (boa) comunicação. Falta falar de alguns dos seus elementos: o ruído afeta (negativamente) a transmissão e a descodificação da mensagem. O contexto toca as situações às quais a mensagem se refere. E o código diz respeito à maneira como a mensagem se organiza. O código é formado por um conjunto de sinais, organizados de acordo com determinadas regras, em que cada um dos elementos tem um significado a par com os demais. Está visto que se um deles “falha” pode muito bem comprometer, distorcer ou descontextualizar a mensagem e prejudicar, em grande escala, a nossa qualidade da comunicação.

 

Quando uma Campanha não Resulta

Quando em marketing uma campanha não funciona (como queremos), que é o mesmo que dizer que não atinge os RESULTADOS que definimos, nós não culpamos o consumidor. De nada vale culpar o consumidor. Procuramos antes perceber por que é que o consumidor não aderiu, não experimentou, não se interessou, não comprou. Isto porque, à priori já identificámos que tem uma NECESSIDADE para cobrir. Ou seja, perante essa necessidade procuramos perceber o que é que não está a funcionar bem na nossa comunicação. Então frequentemente nos questionamos sobre o que podemos melhorar. O que é que não está a passar corretamente para o consumidor.

Em momento nenhum colocamos a tónica no “mau entendimento”, má fé, rebeldia ou má vontade do consumidor. E mesmo que ponhamos, de nada vale porque iremos continuar de “bolsos vazios”.

A qualidade da comunicação mede-se pelo entendimento que o outro tem do que lhe transmitimos.

Então por que insistimos em dizer quando estamos a comunicar com os filhos, são eles que não entendem, que não estão atentos, que fazem de propósito, qua são rebeldes, ou estão de má vontade?

 

Quando a Comunicação com os Filhos não Resulta

O que mudaria se percebêssemos que somos nós – pais – os líderes da nossa família? O que mudaria se aceitássemos que a qualidade de comunicar com os filhos se mede pelo entendimento que o outro tem do que lhe pretendemos transmitir? O outro, neste caso, são os nossos filhos!

O que mudaria se nos questionássemos sobre o que é que não está a funcionar?

 Vejamos, quem quer que a criança faça isto ou aquilo? Sou eu mãe/pai. Partindo do princípio que quando eles entendem e querem algo que nós também queremos, fazem-no; então se tu queres e ele não faz, haverá algo que na comunicação que estará a “falhar”? Sim, ou não?

  • Sim. Há algo que falha na minha comunicação porque lhe perguntei e não me devolveu a ideia em causa, mas outra. Depois de validar o que entendeu da mensagem (perguntando) definimos uma nova ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO atendendo aos elementos do modelo.
  • Não. Entendeu bem a mensagem porque lhe perguntei e me devolveu precisamente a ideia em causa. Então qual é a NECESSIDADE dele/a que não está a ser atendida?

 

O que podemos Fazer para Comunicar com os Filhos?

Quando em marketing pretendes vender determinado curso e a pessoa não compra, é porque, à partida, ou não percebeu essa necessidade como premente, ou não viu o anúncio, ou não identificou as vantagens, ou não retirou todas as dúvidas… etc. Garantidamente não compra porque algo falhou da “nossa” parte, quer seja na tomada em conta da sua necessidade, quer seja na comunicação, porque ele prossegue bem com a sua vida, nós é que não… porque não temos o resultado que queríamos (não vendemos, ou não atingimos os nossos objetivos).

 

“Faz o melhor que puderes até saberes mais. Depois de saberes mais. Depois, quando souberes mais, faz ainda melhor.”

Maya Angelou

 

A ideia deste artigo é colocar em nós pais a tónica e a responsabilidade da educação dos nossos filhos. Quem traça objetivos para a sua educação e o seu comportamento somos nós, não eles. É evidente que eles, desde cedo, têm livre arbítrio (dependendo da idade) e esse elemento faz parte das regras do jogo. Mas, a RESPONSABILIDADE de os acompanhar é nossa. Aprendamos mais então, para tomar em consideração as suas (verdadeiras) necessidades (a par com as nossas) e adotar novas estratégias para podermos comunicar com os nossos filhos e atingirmos os nossos objetivos, obtendo os resultados que pretendemos. Isto tudo, com foco no processo e em entender que há mais do que uma hipótese (ou estratégia) para chegar ao mesmo resultado.

 

Encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥

#beyounique

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