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Como surgem (as) “diferenças”?

Era final de tarde, início de noite. Estava a fazer o jantar e a conversar com o meu marido sobre uma telefonema terminado há minutos. E, entra na cozinha a minha filha, depois do banho e da sua hora de descanso. Senta-se, olha para nós e olha para a tv (era o início das diferenças) e, eu pergunto:

– Filha, tu não tinhas ficado de estudar agora, um pouco mais de estudo do meio?

– Oooohhh! Não me apetece mãe… responde.

E de repente lembra-se de algo e diz: – Ah! É verdade, preciso de estudar a tabuada do sete! Preciso disso para amanhã. É mais importante do que estudo do meio agora (ela a priorizar as suas necessidades…)

Enquanto saía da cozinha eu digo: – Ok. Decide como entenderes e precisares, sendo que te recordo as avaliações para breve.

De regresso às diferenças

De regresso à cozinha, diz:

– Eu pensei que me iriam ajudar (referindo-se a mim e ao seu pai) um pouco mais nisto (tabuada) e por isso não trouxe o caderno de matemática…

– A sério filha, e pediste ajuda? Perguntei.

– Não, às vezes percebe-se quando os outros precisam de ajuda. Mas, podemos escolher não dar… Respondeu.

(Ups… reagiu o meu cérebro…! O que é isto?)

– Entendo… Hum… Tu achas que eu às vezes preciso de ajuda, e não me dás? Perguntei.

– Não, eu dou. Respondeu a pequena.

– Em que circunstância específica é que dás, filha?

– Por exemplo, quando estás a passar a roupa, eu percebo que precisas de ajuda. Mas, eu não posso ainda usar o ferro, então não passo. E tu pedes-me ajuda para a roupa interior e eu ajudo-te.

– Eu peço-te colaboração para a roupa interior. É isso filha?

– Sim, pedes, e eu colaboro a dobrar meias, e roupa interior.

– Então filha, quando sentires que precisas de ajuda, ou de colaboração será que podes pedir?

Olhou para mim com um olhar que escondia um sorriso (que acabou por sair) e respondeu: – Eu acabei de pedir.

A Clareza vem da Comunicação

Muitas vezes achamos que os outros têm um dedo que adivinha. Eu cresci a ouvir a minha mãe a dizer que tinha um dedo que adivinhava (e eu até gostava disso). A questão é que quando queremos uma coisa – principalmente quando somos adultos e essa coisa não depende unicamente de nós para ser realizada, precisamos de pedir e de validar com o outro de que ele sabe e entende o que nós precisamos no momento, ou as necessidades da casa, por exemplo. Assim, se constrói uma comunicação mais clara, assim se desembaraçam eventuais diferenças.

Ensinar os nossos filhos de que precisam de pedir ajuda quando necessitam faz parte e contribui para uma comunicação clara e isso não precisa de ser feito por meio de um sermão, ou de uma longa conversa. Pode ser feito por meio do exemplo e durante as nossas conversas diárias.

As diferenças às vezes emergem de uma comunicação pouco clara.

Encontra mais vezes a felicidade na tua família! ♥

#beyounique

 

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