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As Crianças (não) Namoram?

Hoje fiz um storie dizendo que “As Crianças não namoram!”. As reações até agora foram engraçadas porque houve pessoas que ficaram surpreendidas. Algumas, até aí, não viam “mal” em questionar sobre os namorados das crianças pequenas; outras parabenizaram a desmistificação do tema; outras mostraram preocupação pelo lado “precoce” dos filhos “namorarem”… e por isso decidi antecipar o artigo previsto para a próxima quarta-feira para hoje.

O que estimula os “namoros” em criança?

É de facto muito frequente ouvir: “Então, conta à tia quem é a tua namorada”, ou “Diz-me lá se já tens namorado”, ou simplesmente atribuir deliberadamente essa designação a um relacionamento de maior proximidade ou frequência entre uma menina e um menino (geralmente noto isso, mais entre géneros). E pronto, dessa forma vamos confundindo as suas cabecinhas porque não dá para comparar aquilo a que as crianças chamam de namoro e um relacionamento amoroso entre adultos. É DI-FE-REN-TE!

As crianças brincam aos namoros (e não namoram), da mesma forma que brincam que cozinham (e não cozinham), ou que são astronautas (e não vão à lua), etc. Elas brincam que namoram porque também brincam que conduzem, ou que são cabeleireir@s. E está certo brincar aos cabeleireiros, mas cortar o cabelo não pode ser, porque não são cabeleireiros!

O namoro de que eles falam é estar próximo, é pegar na mão, é brincar, é estarem juntos. As crianças têm amigos de quem gostam e por quem sentem carinho. Se passar disso devemos orientá-los e colocá-los no seu (maravilhoso) lugar de criança. As crianças não estão preparadas para receberem mais estímulos do que os referidos antes, não estão preparadas nem psicologicamente, nem fisiologicamente (Camila Cury). Então é útil saberem que enquanto crianças, brincam, “apenas” isso.

E se disserem que namoram?

Então e se eles próprios (muito provavelmente, previamente estimulados) disserem que têm namorada? Podemos redirecionar a conversa, podemos aproveitar a janela de oportunidade e falar sobre a amizade, sobre o que implica e questioná-los se não é disso que se trata.

Muitas vezes não sabemos de onde vêm esses estímulos, aconteceu em minha casa recentemente. Um dos gémeos chegou a casa a dizer que tinha uma namorada:

– Eu vou casar com a “A”, mamã. Ela é a minha namorada.

– Ai sim? És muito amigo dela, verdade?

– Sim, mamã. E gosto de estar com ela. Eu quero casar com ela, como tu e o papá fizeram. Achas que não dá mesmo para nós os dois casarmos, mamã?

– Eu e o papá somos adultos e por isso casamos. Respondi.

E logo a seguir o irmão gémeo responde:

– A mamã já se casou. Casou com o papá!

– Oh… eu queria mesmo era casar contigo mamã… continuou o pequeno… (está claramente na fase do complexo de Édipo, que decorre entre os 3 e os 6 anos de idade).

– Eu já me casei. Respondi.

– São os adultos que se casam, sabes disso… E quero que saibas que te amo muito, a ti e aos manos e vou-te amar para sempre, independentemente disso, sabes? As mães e os filhos não se casam (risos) mas amam-se muito.

– Amam-se à mesma, mamã… Pois, sim, mamã?*

– Sim, filho. Respondi.

E ele continuou…

– Às vezes ela não quer brincar comigo, sabes? Prefere brincar com outros amigos.

– Ah…! Então a tua amiga às vezes prefere brincar com outros amigos…

E a conversa continuou…

 

O que fazer se as Crianças (não) namoram?

Não proibi a conversa, nem ralhei dizendo: – As crianças não namoram! Também não proibi o tema porque acredito que é muito pior (eles têm uma espécie de radar para aquilo que nos chama a atenção); por seu lado, também não incentivei o tema porque não acredito nisso como expliquei antes; então, naturalizei orientando. Puxei o fio da conversa para a amizade e para a brincadeira que é a sua natureza de criança e por isso natural.

 

Talvez voltem a falar sobre namoradas e namorados, não estou na escola, nãocontrolo ou isolo os estímulos que têm, e cá estarei para orientar sempre que se proporcionar e antecipar certas questões sempre que entender.

 

Para terminar deixo uma última partilha, esta vinda da minha filha. A caminho da escola hoje, a minha filha levava um anel/coração BFF para partilhar metade com a sua melhor amiga e disse-me:

– Mamã, no dia dos namorados, as crianças não têm namorados, então têm amigos. Para mim, faz mais sentido que seja o dia dos AFETOS do que o dia dos namorados.

– Concordo e gosto muito! Respondi.

 

E por isso a mensagem que mandei ao meu marido hoje foi:

“FELIZ DIA DOS AFETOS ♥ ao meu eterno namorado ♥

Amo-te!”

 

Encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥

#beyounique

 

* A “correção” do “pois sim?” ficou para outro momento.

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