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Autoestima: O que a Mãe e o Pai dizem e fazem IMPORTA!

Por uma questão de saúde mental e não tanto de autoestima, este fim de semana fui dar um passeio pelas redondezas de minha casa. Os miúdos foram de trotinete… pelas ruas, “livres e soltos”… Um desafio para nós pais, um divertimento para eles. Senti-me um pastor com um rebanho feliz, fofo e arisco… e, no final correu tudo bem.

Chegados a um local seguro – uma rua sem saída – com espaço para brincar os miúdos ficaram à sua vontade e andaram por ali… Entretanto, um dos meus filhos encontrou uma bola que umas crianças fizeram voar, de dentro de sua casa, para o meio da rua e devolve-a aos proprietários sem “problemas”… Os meus continuaram a brincar na rua.

Enquanto arranjava os casacos de todas as minhas crianças no meu braço, porque estava calor, detenho-me na tarefa e ouço vindo de dentro de uma casa, uma voz masculina e adulta que diz o seguinte:
– “És uma menina… nem dás gosto… o pai assim fica triste contigo…”
Entretanto, ouço a voz de um miúdo, sem perceber nada do que diz, meio em choro e que o pai se ocupa de interromper, dizendo: -“És uma menina… não dás gosto nenhum ao pai… é sempre a mesma coisa…”
Posteriormente, ouço… SILÊNCIO…

Passados minutos, isto é literal, poucos minutos depois, vejo um dos miúdos que tinha vindo buscar a bola minutos antes, inesperadamente, a correr para junto das grades da casa onde jogava. Apercebi-me que fugia da mãe, que ao mesmo tempo que lhe dizia umas palavras (que não escutei) lhe aplicou umas valentes palmadas na zona da nuca e da cabeça quando o alcançou. E o miúdo foi a correr para dentro da propriedade…

Autoestima: O exemplo

Bom, em minutos vi, ouvi e senti o que eu acredito que não ajuda a uma vida parental e infantojuvenil saudável. Acredito profundamente que estes pais estejam a dar o seu melhor. E, às vezes o nosso melhor pode não ser suficiente para aquilo que nós QUEREMOS para nós e para os nossos filhos. Aquilo que sabemos pode não ser suficiente para fazer aquilo que QUEREMOS. A nossa consciência pode não estar desperta o suficiente para fazer o que ESCOLHERIAMOS se estivesse.

A importância do que dizemos aos filhos é muita. A importância do que fazemos é crucial. Então, o exemplo que damos é determinante para a sua autoestima.

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O que pensará um filho quando o pai lhe diz que ele sendo rapaz “é uma menina”? O “TU ÉS” vai à IDENTIDADE da criança. O que significa ser menina? É menos? É pior? O que sig-ni-fi-ca? Talvez seja cabível na cabeça da criança que “ser menina” seja mau…
O que crescerá este menino a achar sobre si? E sobre as meninas? Sobre a sua relação com as meninas?
E se agora analisarmos o trecho “não dás gosto nenhum ao pai” cortando caminho para o “é sempre a mesma coisa”… NENHUM e SEMPRE são 2omissões” e “generalizações” que as crianças entendem como literais. Como entenderá esta criança o facto de não dar gosto “nenhum” ao pai, “nunca”?

Como assim!?

As Crenças

“As crenças são, na maioria das vezes, inconscientes e adquirimo-las na infância (“não sou capaz…”, “não mereço!”, não posso?”), determinando as nossas ações e os nossos resultados” Cristina Valente

Afinal, todos os pais, em princípio, amam os filhos e querem que eles sejam seguros, autónomos, capazes, felizes… que tenham autoestima.

No episódio da mãe que bateu ao filho, o que dizer? Não digo, prefiro perguntar. O que crescerá o miúdo a pensar?

Que haja memória de família, levei seis vezes palmadas na vida e curiosamente lembro-me de todas. Em todas elas a pergunta que eu me fiz foi a mesma: Porque o fizeste? Ou seja, se a vontade dos pais e educadores é que as crianças aprendam alguma coisa quando lhes batem, a minha experiência diz-me que não aprendem. Eu não aprendi nada com as palmadas em si. NADA. Fiquei triste, magoada, sentida, envergonhada, e com medo. Não APRENDI, nada.

Embora o comportamento da criança possa mudar, isso não significa que tenha aprendido algo, aprendeu que, naquele contexto, com aquela pessoa, aquilo não se faz, se não apanha-se. E depois vivem todos “felizes” até ao dia em que a criança é mais autónoma, mais crescida, mais independentemente e finalmente sente que pode fazer. Finalmente pode…

A Sociedade e a Consciência

Certamente que estes episódios são só uma amostra daquilo que a nossa sociedade ainda carrega. Com que autoestima, autoconceito e autorrealização crescerão estas crianças? E que responsabilidade terão elas enquanto crianças em relação a isso?

Decerto, sei que tenho que ir às escolas partilhar este despertar de consciência com pais e professores. Que tenho que partilhar mais o que sei. Que preciso de ser mais paciente e aceitar a cada dia que cada um faz aquilo que pode com as ferramentas que tem. E eu faço e farei a minha parte.

Se também tu acreditas nisto, mesmo que ainda não o consigas fazer como gostarias, faz por favor a tua parte e partilha este artigo com quem precise de o ler e com quem possa fazê-lo chegar mais longe.

Tens em ti e desde já, o meu profundo agradecimento! <3

 

Encontra mais vezes a felicidade em ti e na tua família! ♥

#beyounique

 

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